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Brasília é sonhada desde o fim do século 19. Até a eleição de Juscelino Kubitschek, todos os governos defenderam a mudança da capital para aquele ponto do país, como um Eldorado. A cidade surgiria para corrigir uma distorção: a falta de rotas geográficas que favorecessem, rumo ao oeste, o uso de todo o potencial do território brasileiro.
A idéia da mudança da capital para o interior do país foi levantada já em 1761, pelo estadista português Marquês de Pombal. Mais tarde, em 1821, José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência, retomou o assunto da interiorização da capital e sugeriu dois nomes – Petrópolis ou Brasília.
Anos depois, o diplomata e historiador Francisco Adolfo de Varnhagem voltou a defender a ideia; para ele, a transferência civilizaria o sertão. Em 1891, a primeira Constituição da República estabeleceu legalmente, enfim, a região onde deveria ser instalada a futura capital. Mas seria só em 1956, com a eleição de JK, que Brasília seria erguida.
A explicação para a escolha do cerrado era, além de geográfica – a posição estratégica, bem no meio do país –, religiosa. Diz-se que São João Bosco, sacerdote italiano, teria, em sonhos, uma visão de Brasília nessa localização. Se a ideia dependia apenas de encontrar quem a realizasse, JK o fez. Assim, em outubro de 1956, Ernesto Silva, "o pioneiro do antes", o pediatra por formação e desbravador por natureza, recebeu o presidente no cerrado com um mapa da região debaixo do braço e conduziu o primeiro comboio.
Depois de descobrir "a vastidão desconcertante do vazio", JK escreveu no Livro de Ouro: "Deste Planalto Central, desta solidão que em breve se transformará em cérebro das altas decisões nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã do meu país e antevejo esta alvorada com fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino."
Para saber um pouco mais de história, acesse o Arquivo Público.